jueves, 29 de septiembre de 2011

RECANTOS DE MENDOZA

Quando se fala em vinho na Argentina, logo se pensa em Mendoza, porém, esta região não é uma coisa só. Então, entenda suas subdivisões e saiba o que de melhor se faz em cada uma delas...




Afirmar que Mendoza é a principal região vitivinícola da Argentina é redundante. Afinal, mais de 80% do vinho argentino é produzido nesta província, cuja capital é a cidade de Mendoza. Para lá foram direcionados os maiores investimentos estrangeiros e, sem dúvida, é em Mendoza que estão estabelecidas as vinícolas mais tecnológicas do país.
Situada a oeste da Argentina e no sopé dos Andes, as vinhas estão plantadas em altitudes elevadas, que variam, em média, entre 600 e 1.100 metros acima do nível do mar. Estima-se que na região existam mais de 160.000 hectares de vinhedos e, ao redor da cidade de Mendoza, aproximadamente 1500 vinícolas.


A geografia da vitivinicultura mendocina se divide em cinco grandes sub-regiões, cada qual com características próprias de altitude e composição de solo, resultando em terroirs diferenciados, cujos reflexos influenciam diretamente os vinhos de cada uma. São elas: Região Norte, Leste, Rio Mendoza (ou Região Central), Vale de Uco e Sul.
Essa constatação é comprovada no foco de trabalho de diversas vinícolas, entre elas algumas das mais maiores e mais celebradas, como Catena Zapata, Zuccardi e Trivento - projeto da gigante Concha y Toro na Argentina - que têm vários tipos de uvas plantadas nessas sub-regiões. Com estudos e pesquisas, elas estão definindo quais cepas são as mais indicadas nas mais diversas localidades, a fim de produzir uvas capazes de gerar vinhos diferenciados e de ótima qualidade em cada uma delas. Todo esse processo, além de otimizar a produção, contribui significativamente para a melhora do vinho argentino como um todo.



Região Norte
A dita Região Norte engloba o departamento de Lavalle e parte dos departamentos de Maipú, Guaymallén, Las Heras e San Martín, abrangendo ainda áreas de menor altitude, irrigadas pelo Rio Mendoza. A altitude varia entre 600 e 700 metros acima do nível do mar, com pequeno declive, e predominam solos de areia fina.
Destacam-se a produção de vinhos brancos a partir de Chardonnay, Sauvignon, Chenin Blanc, Ugni Blanc e Torrontés, e de tintos feitos com Syrah, Cabernet Sauvignon, Bonarda e Malbec. Aqui e na região Leste o foco está na produção de vinhos mais acessíveis e de maior produção.



Leste
Considerando a superfície de vinhedos e a quantidade de vinícolas estabelecidas na região, o Leste da província de Mendoza constitui verdadeira potência vitivinícola. Com altitudes que descendem de 750 a 640 metros, apresenta diferenças substanciais no clima, solo e amplitude térmica, de acordo com diferentes áreas. Compreende os departamentos de Junín, Rivadavia, San Martín, La Paz e Santa Rosa.
Nos setores localizados nos arredores da cidade de Mendoza, os solos apresentam pouca capacidade de drenagem. Já no extremo leste, especialmente nos departamentos de Santa Rosa e Rivadavia, a terra em geral é arenosa e bem permeável; a paisagem é desértica e verifica-se grande amplitude térmica. Todos esses fatores contribuem para que vinhos do Leste - e também do Norte - sejam mais maduros e frutados, próprios para consumo rápido e agradem a maioria dos paladares.
Cultivam-se praticamente todas as cepas existentes na Argentina, destacando-se, entretanto, as produções das brancas Chardonnay, Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, Torrontés e Viognier e das tintas Sangiovese, Syrah, Bonarda e Tempranillo. Nessa região merecem destaque as vinícolas Santa Rosa e Zuccardi.

Rio Mendoza ou Região Central
Localizada nos departamentos de Luján de Cuyo e Maipú. O primeiro abrange, entre outros, os conhecidos e reputados distritos de Las Compuertas, Vistalba,
Perdriel, Agrelo e Ugarteche. Já o segundo inclui Lunlunta, Las Barrancas, Cruz de Piedra, Beltrán e Coquimbito.

Rio Mendoza é uma região vitivinícola antiga e tradicional, também conhecida como a "primeira zona" dos vinhos argentinos. Estando ao sul da cidade de Mendoza, conta com altitude ideal - variando entre 650 e 1.060 metros - e com os melhores solos da província - pedregosos, pobres e ricos em calcário -, fatores excepcionais para o cultivo da videira, que contribuem significativamente para que os vinhos produzidos na região estejam entre os melhores do país. Há uma diversidade de microclimas e a maioria das vinícolas se utiliza de uvas dessa área na produção de seus vinhos.
A cepa mais característica da região é a Malbec, a partir da qual se obtêm vinhos emblemáticos, representativos da região, da província e do próprio país. Aliás, em Luján de Cuyo está a DOC - Denominação de Origem Controlada - para elaboração de Malbec. Lá, a fruta atinge aromas complexos, cor e ótima concentração. Entretanto, a Malbec obviamente não é a única casta cultivada na Região Central, onde se produzem bons vinhos também a partir de Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc.
Entre as vinícolas de destaque estão Alta Vista, Catena Zapata, Finca Flichman, Finca La Anita, Luigi Bosca, Mendel, Norton, Pulenta Estate, Ruca Malen, Santa Julia, Séptima, Terrazas de Los Andes, Trapiche, Trivento, Viña Alicia e Zuccardi.



Vale de Uco
Vale de Uco é a zona que apresenta as maiores altitudes, que chegam a 1.700 metros acima do nível do mar. Compreende os departamentos de Tupungato, Tunuyán e San Carlos, que incluem, entre outras, as reputadas localidades de Vista Flores, La Consulta, Altamira e Gualtallary, conhecidas pela alta qualidade dos vinhos produzidos. Com clima ameno, grande amplitude térmica e solo pobre, pedregoso e bem drenado, caracterizam-se por sua capacidade de produzir uvas de qualidade superior, com bom tanino, cor e ótimo equilíbrio entre acidez e açúcar; qualidades que permitem a vinificação de brancos e tintos capazes envelhecer por longo período.


Tradicionalmente, cultiva-se na região Sémillon e Malbec. Mais recentemente, foram introduzidas Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Merlot, que mostram grande adaptabilidade ao terroir local, assim como Syrah e Tempranillo. Hoje o vale vive seu auge, recebendo investimentos internacionais e produzindo grandes vinhos.
Aqui merecem destaque diversas vinícolas, entre elas, Andeluna Cellars, Atamisque, Catena Zapata, Clos de Los Siete, Doña Paula, Finca Sophenia, Flecha de Los Andes, François Lurton, Monteviejo, O. Fournier, Rutini, Salentein, Terrazas de Los Andes, Trivento e Vistalba.


Sul

Compreendendo os departamentos de San Rafael e General Alvear, a região Sul está localizada entre os paralelos 34,5° e 35° de latitude sul. Suas altitudes descendem de 800 m a 450 m acima do nível do mar. O clima é ameno e os solos calcários. Destaca-se como a principal área de cultivo de Chenin Blanc na Argentina, além de produzir também bons vinhos a partir de Chardonnay, Malbec, Sauvignon Blanc, Merlot e Cabernet Sauvignon. Nessa região, merecem destaque as vinícolas Casa Bianchi e Alfredo Roca.


martes, 27 de septiembre de 2011

Será o fim do barril de carvalho convencional?

A pergunta “Será o fim do barril de carvalho?” pode assustar a todos aqueles que apreciam os vinhos estagiados nos barris de carvalho, que o consideram como um sinônimo de complexidade de aromas e sabor, mas hoje em dia, considerando as tecnologias modernas, a pergunta pode estar perto de uma resposta definitiva.



É eu sei, vai contra a ordem natural evolutiva do vinho, que desde a sua versão histórico-moderna e durante tantas gerações eles passam, após a fermentação, por um estágio nos barris de carvalho para a maturação e para conferir novos aromas e sabores.
Mas o que os enólogos poderiam utilizar além do barril convencional? O que poderia ser mais barato, acessível e até mesmo ecologicamente mais favorável?
Tentando responder a tantas questões como esta e, principalmente, para fornecer novas possibilidades ao processo de produção do vinho, diversos testes estão sendo realizados por vinícolas da Austrália para mudar radicalmente a forma de como a indústria do vinho emprega o carvalho.
A (r)evolução é resultado de um joint venture entre a Austrialia´s Flextank  e a France´s Oenowood International, que tem planos promissores para as melhores árvores de florestas francesas. Após o corte, ao invés de serem montados os barris, os produtores da Austrália vão utilizá-las na forma de prancha de carvalho em seus vinhos. Seria um pseudo-barril, conhecido como BarriQ.
O que alegam a respeito desse BarriQ é, primeiro, que ele é mais barato e segundo que vai fornecer os mesmos sabores, taninos e aromas, como um barril convencional, mas com benefícios adicionais. Como alegam os representantes do projeto: “O barril de carvalho é um dos grandes desperdícios do mundo, pois se o vinho penetra apenas de 4 a 6 milímetros de um barril, os enólogos estão jogando fora 70% do produto”.
Além do BarriQ, outra invenção estudada é o chamado Flextank, que visa substituir mesmo o carvalho, pois se trata de um tanque de polímero termoplástico. Os inventores estão nas fases de testes, mas relatam que ele “respira” de forma semelhante ao barril de carvalho convencional. Você deve estar se perguntando, tudo bem que ele tem a mesma transferência de oxigênio, mas e quanto aos atributos conferidos ao produto?
Bom, aí sim entra uma parceria entre os dois produtos citados aqui. O resultado desta combinação entre o Flextank (trazendo oxigênio) e o BarriQ (trazendo sabores e taninos) poderá ser a altura do bom e velho barril de carvalho?
A resposta ainda tem muito a ser desvendada, mas o custo é um fator que afasta muito a maturação do barril de carvalho. Os enólogos pagam cerca de U$1.250-1.300 para uma barrica nova de 225 litros, importada da França. Supondo que um produtor de médio porte compre cerca de 650-750 barricas por ano, então este custo poderá ser um dos maiores gastos da empresa. E todo este montante investido, após a produção e uma, duas ou três vezes de utilização, a barrica poderá ser encontrada em um jardim qualquer como adereço, ou em uma adega qualquer...
A proposta do BarriQ é ser comercializada em um pacote com 8 varas (ou o equivalente a meio barrica), por U$401 dólares, ou 16 varas (equivalente a um barril), por 802 dólares, ou seja, aproximadamente a metade do valor. A proposta seria: O produtor só paga pelo que precisa, pelo que vai utilizar.
Outra questão que entra para a nossa conta seria a questão ambiental. Um carvalho deve ter uma vida próxima (ou superior) a 100 anos antes de ser cortado, para dar forma aos barris. Algumas florestas francesas, exemplos de sustentabilidade, produzem o equivalente a uma árvore a cada 150 anos, ou seja, dois barris por ano, por hectare. Muito pouco. Além disso, 80% deste material pode ser descartado ao longo da cadeia produtiva e, ao final, acabará como lenha para a fogueira.
Agora que vimos alguns quesitos importantes, pensamos em outro fator essencial: E quanto ao gosto?



Para nos ajudar a pensar nisso, descobri que a Blue Pyrenees Estate, com seu enólogo Andrew Koerner, conduziu os primeiros testes da conjunção do BarriQ com o Flextank, no seu Cabernet sauvignon 2008, que ganhou prêmios de melhor tinto no Sydney Royal Wine Show. Tudo bem que isso seria o equivalente a ganhar uma dança dos famosos no Faustão, mas é um começo. Certo? A primeira vitória para todos os envolvidos nestes projetos...
Poucos ainda estão convencidos, mas as pesquisas estão intensas e outros resultados estão sendo coletados. E ainda há aquele famoso romance com o barril, que pode perder o brilho quando se trata de uma prancha de carvalho imersa em um tanque sintético. Mas, convenhamos, se você não vai ver, qual a diferença? Poderia usar um famoso ditado, mas nem isso vou fazer.
Agora é aguardar pra ver. Se vai ser no carvalho ou em um tanque termoplástico, ainda não dá pra saber.


lunes, 5 de septiembre de 2011

Pinot Noir: Uma uva histórica, complexa e elegante


A emblemática Pinot Noir tem suas raízes na região da Borgonha, sudoeste da França. É uma das uvas que recebe uma grande atenção pois dela são produzidos alguns dos melhores vinhos do mundo, como tintos, espumantes e as famosas champanhes.
Na Borgonha, por exemplo, são produzidos vinhos bastante admirados em todo o mundo, entre os quais estão o Romanée-Conti, Volnay, Clos de Vougeot e outros tantos grands crus. Enquanto isso, na região de Champagne, França, esta uva faz parte do corte que resulta no renomado champanhe. 



Vinhos e características

A Pinot Noir tem bagas pequenas e sensíveis, carne macia e um preto arroxeado e, apesar de todos estes vinhos de sucesso, é uma uva de difícil cultivo, complexa para se manusear e ainda mais para resultar em um vinho de qualidade.
Esta uva, em geral, é quando bem manuseada pode dar vida a vinhos com sabor e elegância característicos, bastante complexos, com aromas intensos e, em alguns casos, que evoluem muito bem com o passar dos anos. Não é a toa que a partir dela são produzidos alguns dos vinhos mais famosos e caros do mundo.

Visual
A Pinot Noir tem uma cor exclusiva, com um vermelho ligeiramente opaco, ressaltando um brilho único entre todos os vinhos. Como quase todos os demais, a cor muda com o envelhecimento, se um jovem Pinot Noir é vermelho rubi ou roxo; um vinho de 8 ou 10 anos irá mostrar uma cor ocre laranja.

Olfato
O vinho Pinot Noir é um dos mais aromáticos entre todos, um fato para adicionar à sua excelência. Salta imediatamente ao nariz os aromas de berry, como morangos, amoras, framboesas, ameixas e cerejas. Também podemos distinguir aromas de alcaçuz, couro e violeta, que são marcantes quando os vinhos são envelhecidos em carvalho. E podemos reduzir sabores primários, como groselha preta e trufas.

Palato
Os vinhos de PN tendem a ter uma estrutura que destaca seus taninos. Sabor sutil, fresco e com nuances frutadas, acidez viva, mas sem ser agressiva.

Popularidade
Nos anos de 2004 e 2005, a Pinot Noir tornou-se muito mais popularmente conhecida entre os consumidores de países como Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Ásia, por ser a estrela do filme “Sideways – Entre umas e outras”.
Para reforçar toda esta importância ao redor desta emblemática casta, nesta mesma época, o renomado crítico Robert Parker declarou, de boca cheia, em seu guia Parker´s Wine Buying Guide: “A Pinot Noir produz os vinhos tintos mais complexos, hedonistas, emocionantes e surpreendentes do mundo”...

Cabernet Sauvignon x Pinot Noir
A PN é o contraponto da especialíssima Cabernet Sauvignon que, francesa como ela, conquistou o mundo inteiro e é hoje sinônimo de vinho tinto. Enquanto a CS produz caldos encorpados, profundos e com muita intensidade, a PN sempre traz exemplares com mais aromas e uma elegância que não consegue ser alcançada por nenhuma outra uva. Uma das mais significativas diferenças entre as duas está no desenvolvimento na vinha. Enquanto a Pinot Noir necessita de clima frio e tem maturação mais rápida, a CS consegue se desenvolver bem em climas quentes e é uma das mais tardias a amadurecer. A difícil adequação da Pinot Noir às condições climáticas é uma das razões de não termos muitas regiões do mundo com vinhos destacados. Clima quente produz vinhos que beiram a marmelada, perdendo todo o seu caráter.
Em adição a essas características, a PN tem, normalmente, menos taninos e pigmentos que uvas como a própria Cabernet ou até mesmo Syrah, produzindo quase sempre vinhos mais claros. Não há como negar que, tanto no processo de desenvolvimento da vinha quanto no processo de vinificação, essa uva requer muito mais trabalho e dedicação se comparada com qualquer outra que produz vinhos tintos.

Pelo mundo...
Apesar do difícil cultivo e do desenvolvimento preferencial em climas frios, a PN saiu da França e se adaptou muito bem em países como: Espanha, Itália, Austrália, Chile, Argentina, Nova Zelândia, África do Sul, Califórnia, Áustria, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Suiça e EUA.
Quatro países que também têm concentrado esforços em produzir vinhos tintos a base desta uva. Dentre os quais o mais destacado é a Austrália, que não tem especialidade em Pinot Noir, mas vem produzindo bons exemplares a bons preços.
O Canadá vem produzindo vinhos de média a boa qualidade e, ultimamente, realizou marcantes saltos neste quesito.
O Uruguai, um país pequeno, mas com boa tradição na produção de vinhos, tem colocado a Pinot Noir no mapa. Os primeiros resultados são interessantes, mas o tempo dirá o real potencial da região.
E claro, o Brasil também está na luta, e tem tido uma boa performance na produção da uva em questão, mas tudo que é difícil no mundo inteiro aqui é potencializado devido a quase ausência de climas adequados. Além de boas garrafas provenientes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina vem despontado com bons exemplares nos últimos anos.

Informações gerais
Geralmente, os vinhos tintos de PN devem ser servidos em temperaturas entre 14 e 15 graus. Se o vinho tem mais de 08 anos, a temperatura deve ser de 15 graus, enquanto dependendo da harmonização, a temperatura pode ser ao redor de 16 graus.
A graduação alcoólica de bons vinhos de PN fica na casa dos 12-13%.

A combinação perfeita...
Os vinhos PN são perfeitos com aves como galinha, frango ou pato, especialmente quando são preparados com ervas aromáticas e assados. Esta uva ainda permite a harmonização com peixes como atum e salmão, além de alguns peixes de água doce, cozidos no vapor ou levemente grelhados. Quando for combinar com queijos, opte pelos semi-duros.
Lembre-se apenas que, mesmo se tratando de um bom rótulo de PN, o vinho não deve ofuscar a comida, e vice-versa. Eles devem completar-se em um casamento infinito de sabores e aromas, enquanto durar.

Para finalizar...
E você, já provou bons vinhos de PN? Qual o seu preferido? Qual o grande vinho degustado? Conte para a Mendoza Holidays.

Um texto rico em prazeres, como uma boa taça dos bons rótulos de Pinot Noir.
Um brinde e até a próxima.